O Prolongamento da Ferrovia: A Construção dos Ramais

O Ramal de Araranguá

À "Tereza Cristina" sobravam motivos em desejar canalizar para os seus vagões àquela possibilidade de safras promissoras que surgiriam de tão férteis zonas agrícolas. Além do mais, vigoroso e certo, estaria o transporte do carvão, cujas jazidas afloravam por Criciúma, Urussanga e redondezas.

"A grande escassez de carvão no mercado nacional e estrangeiro, provocada pela Guerra Mundial (1914–1918), contribuiu para que impulsionasse o governo brasileiro a construir o trecho ferroviário Tubarão – Araranguá e outros ramais troncos, que interligariam as zonas carboníferas de extração de minério." (trecho do livro de José Freitas Júnior, Conheça Tubarão – documentário histórico e outros fatos (1605-1972), pág. 153). "Atendendo a razões mais que amparadas no bom senso, o Governo autorizou em 23 de maio de 1917, a construção do trecho." (Trecho do livro de Walter Zumblick, "Tereza Cristina – A Ferrovia do Carvão", pág. 114).

"A construção por sua vez foi dividida em dois trechos: o primeiro, de 56.550m, que terminava na vila de Criciúma; e o segundo, de 35.300m, que iria deste último ponto até Araranguá. A 1° de janeiro de 1919, a título provisório, foi aberto o tráfego Tubarão – Criciúma, este trecho porém só foi inaugurado 4 anos depois. “E, somente em 18/01/27, foi inaugurado o ramal de Araranguá, 10 anos depois da autorização.” (Trecho do livro de Walter Zumblick, "Tereza Cristina – A Ferrovia do Carvão", pág. 115).

O Ramal de Urussanga

"O eixo colonial primitivo que, em 1877, havia abrigado, em Azambuja, as primeiras levas de sonhadores imigrantes italianos que, penetrando e subindo o rio Pedras Grandes, derramaram, na então mata virgem, um novo ritmo de vida, de mistura com roupagens de berrante colorido e falas de uma algaravia inédita, a aquele eixo simbólico, teria contado o seu tempo de pujança. Urussanga, instalada depois, guardava em seu solo, sem saber, essa riqueza que, ao tempo, nem os colonizadores pioneiros tinham conhecimento: o carvão.

A descoberta posterior de jazidas do mesmo significaria o anúncio de tempos de ‘vacas gordas’ para toda aquela isolada região. Mas, o carvão somente teria valor escavado e, principalmente, colocado às portas das suas fontes consumidoras. Só poderia subsistir a indústria mineradora à vista garantidora de um transporte regular. A hulha negra, para sobreviver, clamava pelo caminho único e mais acertado, que seria a estrada de ferro demandando aos portos do mar." (Trecho do livro de Walter Zumblick, "Tereza Cristina – A Ferrovia do Carvão", pág. 120).

A construção desse ramal foi autorizada em 1918, pelo Governo e coube a Companhia Brasileira Carbonífera de Araranguá, realizá-lo. Porém, a C.B.C.A. pouco interessava, e, isso é verdade ditada pela lógica, proporcionar facilidades de transporte a uma concorrente sua. Implantar um novo trecho de linha, nas condições previstas, seria trazer para si, embaraços no transporte ferroviário e no embarque marítimo da sua própria produção carvoeira. Com isso, a Companhia Carbonífera de Urussanga – CCU, solicitou ao Tribunal de Contas, a transferência da construção. Assim, o ramal começou a ser construído, pela CCU, em 1919 e foi inaugurado em 7/06/1925.

Ramal de Treviso e Sub-ramais

"A construção da primeira seção do ramal de Treviso, situado entre o km 113 da linha tronco Imbituba - Barranca, e Beluno, com um desenvolvimento de 14.400 m foi aprovado em 1942, mas só teve início em 1943. Neste ramal foi construído o único túnel da via férrea, com a extensão de 338,45m. Os sub-ramal de Mina do Mato, numa extensão de 4.680m iniciou-se em 1946 e foi concluído em 1947, e o outro de Mina União, de menor extensão, media 2.549m e foi construído no mesmo período." ( Trecho do livro de Walter Zumblick, "Tereza Cristina – A Ferrovia do Carvão", pág. 91).

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